Açaí, Beira Mar e Lições de Vida

Sandra do Brisas do Açai

Faça o que você realmente ama – a vida é só uma!


Na orla movimentada da Beira-Mar, entre sons de risos, passos de turistas e o aroma doce do açaí, está Sandra — ou melhor, Sandra do Coco. Com mais de 20 anos de trajetória, ela transformou um carrinho simples em um negócio cheio de alma. Sua história é de superação, sabor e amor pelo que faz.


Como tudo começou

Meu nome é Sandra, mas aqui na Beira-Mar muita gente me conhece como Sandra do Coco. Minha história com o empreendedorismo começou há mais de vinte anos, vendendo água de coco na orla. Era um trabalho simples, mas feito com dignidade e muita força de vontade. Com o tempo, fui aprendendo, enfrentando os altos e baixos da vida de ambulante, até que um novo capítulo começou a se desenhar.

Quando a Beira-Mar passou pela grande reforma, surgiu a oportunidade de participar da licitação para os novos quiosques. Foi aí que tudo começou a mudar. Tirei um MEI e, com coragem, entrei na concorrência. Ganhamos o ponto do lote 2. Na época, meu marido sonhava em trabalhar com açaí, mas nunca tínhamos conseguido colocar esse plano em prática – a prioridade sempre foi o coco. Com o novo espaço, ele decidiu abrir uma pastelaria, e eu continuei com o coco… até me descobrir.


A descoberta do açaí

Sandra do Brisas do açaí
Foto: Tetiana Dvorna

Comecei a testar o açaí aos poucos. Coloquei uma opção, depois duas… e de repente, percebi que aquele era o meu lugar. O açaí foi tomando espaço, ganhou o gosto dos clientes e, quando vi, tinha me encontrado de verdade. Hoje, o Brisas do Açaí é mais do que um negócio – é minha identidade.

A gente trabalha com açaí natural, feito com capricho. Mas também oferecemos alguns cremes bem procurados, como cupuaçu, pistache e morango. Não temos uma estrutura grande, então optei por focar no que dá certo. Esses sabores fidelizaram nossos clientes, e a logística funciona bem assim. Às vezes pedem algo diferente, mas o essencial está sempre aqui – com qualidade.

Escolhi trabalhar com açaí não só por gosto, mas porque é um alimento saudável, leve e procurado por quem busca bem-estar. Hoje em dia, todo mundo está atrás de opções sem glúten, sem lactose, e o açaí se encaixa perfeitamente nesse estilo de vida. Ele chegou na minha vida como uma luva.


Os desafios do empreendedorismo

Sandra e o equipe
Foto: Tetiana Dvorna

Claro, o caminho não foi fácil. Empreender no Brasil é um desafio diário. Os custos são altos, os impostos pesam, e a mão de obra é um problema constante. Contratar pessoas que realmente queiram caminhar junto com você é muito difícil. Não tenho formação em administração, nunca tive um comércio grande – venho do chão, da rua, da realidade de quem aprendeu fazendo.

“Você abre um negócio sem saber se vai dar certo, mas precisa acreditar. Se você não acreditar, ninguém vai.”

Já pensei em desistir, sim. Teve dias em que tudo parecia complicado demais – especialmente por causa da dificuldade em encontrar funcionários comprometidos. Não é só saber servir ou preparar o produto. É ter vontade de estar junto, de construir algo.

Hoje tenho 52 anos e sigo aprendendo, todo dia um pouco. Me adapto, erro, corrijo, continuo. Porque apesar de tudo, eu amo o que faço.


A magia da Beira-Mar

Beira Mar, Fortaleza
Design: Canva

A sorte é que estamos em um ponto privilegiado, em uma área turística. Durante o dia, o movimento é mais fraco – o calor espanta os turistas, que preferem passeios em outras praias. Mas quando chega a noite, a Beira-Mar ganha vida. O clima muda, vem aquele ventinho gostoso, o pessoal sai dos hotéis pra passear… e passa por aqui. É nesse momento que tudo acontece.

“A noite na Beira-Mar é mágica. As pessoas vêm com calma, querem comer bem, curtir o ambiente. E o nosso açaí faz parte desse roteiro.”

Hoje, a Beira-Mar oferece de tudo: pastel, hambúrguer, sorvete, bares, restaurantes, patinetes… Mas o açaí continua sendo o carro-chefe. E eu sigo aqui, firme, sorrindo, atendendo com carinho cada pessoa que para no meu quiosque. Alguns vêm por curiosidade, outros já são clientes de longa data. E todos saem com algo mais do que um copo na mão – saem com um pouco da minha história também.

Empreender não é fácil. Requer coragem, fé e muita persistência. Mas é possível, sim. Eu sou prova disso. Comecei com um carrinho, com coco, com as mãos calejadas e sem saber o que viria pela frente. Hoje, tenho um negócio fixo, clientes fiéis e uma razão pra acordar todos os dias e seguir lutando.

“Se eu consegui, qualquer um pode conseguir. Basta acreditar, trabalhar com amor e não ter medo de recomeçar.”


Atendimento, memória e afeto

Antes de chegar aqui, passei por muita coisa. Trabalhei a vida toda para outras pessoas, desde muito nova. Meu último emprego foi num salão, onde fiquei por sete anos. Eu gostava do atendimento, de vender os produtos, conversar com os clientes… mas química, cabelo, essas coisas, não eram minha praia. O que eu amava mesmo era o contato humano, a troca, aquela energia boa de atender bem. E foi justamente isso que reencontrei quando vim pra Beira-Mar.

Quem chega aqui se apaixona. É como se o lugar te abraçasse. E foi exatamente assim comigo: eu vim, vi esse mar lindo, essa movimentação, essa mistura de gente do mundo inteiro… e não quis mais sair. Comecei com uma barraquinha na Praia de Iracema, fui acreditando, insistindo, e depois participei do sorteio do projeto da nova Beira-Mar. Mais pra frente veio a licitação, e então nasceu o Brisas do Açaí.

Esse lugar é especial demais pra mim. Ele não é só um ponto turístico – ele pulsa. Tem algo vivo aqui, algo que muda todo dia. Um dia tem show, no outro aparecem os golfinhos, no outro montaram uma academia novinha, super moderna. Tem o pipoqueiro da pipoca salgada, o outro da pipoca doce, tem açaí, pastel, gente caminhando, rindo, namorando, vivendo. E no meio de tudo isso, estou eu, com meu quiosque, fazendo parte dessa energia.

“A Beira-Mar não é você que se doa pra ela… é ela que se doa pra você.”


Comunidade e clientes fiéis

Clientes do Brisas do açaí
Foto: Tetiana Dvorna

Quando falo dos meus clientes, tenho muita coisa boa pra dizer. Tenho clientes fiéis de todo canto — de Fortaleza mesmo, e também de Pindoretama, Caucaia, Maranguape. E muitos deles vieram através da indicação de outros. Tem turista que vem e volta, ou manda amigo, parente. A gente vira quase uma família. É engraçado, porque muitos acham que eu vendo açaí ou coco. Mas não. Eu vendo é o atendimento. Isso é o que faz a diferença. Acolher, escutar, tratar com carinho. Isso não tem preço.

Hoje, não sei nem dizer se tenho mais clientes locais ou turistas. Antigamente, com o coco, era mais o povo daqui. Mas agora com o açaí, acho que é até mais turista. E é bom ver essa mistura, essa troca. E quando o cliente volta, te chama pelo nome, indica pra outros… aí você sente que está no caminho certo.


Expansão e sabores

Sobre expandir… olha, muita gente me pergunta por que eu não estou no iFood. Eu sei que se eu colocasse a água de coco lá, ia ser um sucesso. Mas não dou conta. Eu atendo com muito cuidado, com horário marcado, e isso é o que posso oferecer no momento. Não adianta prometer o mundo se eu não posso entregar. Tenho essa consciência. Com o açaí, talvez um dia eu vá pro delivery, sim. É mais simples de transportar. Mas a água de coco não dá. Ela é perecível, sensível, precisa de todo um cuidado na logística. Então, se eu fizer, tem que ser direito.

Hoje, meus sabores que mais fazem sucesso são o creme de ninho, o açaí — claro —, e agora o pistache, que virou o queridinho. O meu preferido? Açaí e cupuaçu. Ah, o cupuaçu é tudo de bom! Uma fruta da Amazônia, cheia de história. A gente serve em creme, tipo sobremesa. Lá no Norte, o povo come até com peixe e farinha, né? Mas aqui a gente adaptou. E também tem a novidade da casquinha que chegou agora, pra refrescar ainda mais o povo.

Criar sabores próprios? Não sou muito de inventar, pra ser sincera. Eu prefiro algo prático, rápido, até porque já passei por muita coisa. Em 2011 tive câncer, então hoje eu vejo o mundo com outros olhos. Se alguém já fez algo bom e me mostra que funciona, eu uso. Tipo o tal do “morango do amor” que está bombando nas redes. Eu deixo pras doceiras. Eu vou na logística fácil mesmo.


Histórias marcantes e conselhos

Momentos marcantes? Olha, com o açaí, ainda não teve nenhum que me marcou profundamente. Mas com o coco… ah, com o coco eu tenho várias histórias. Uma vez, um turista veio e falou: “Seu coco é o mais caro que eu vi da Praia de Iracema até aqui.” Aí eu olhei pra ele e disse: “Moço, eu não vendo coco. Eu vendo atendimento. O senhor quer comprar?” Ele parou, pensou e disse que queria. E ainda me pagou o triplo do valor original, dizendo que foi o atendimento mais barato e mais especial que ele já tinha recebido na vida. Isso marcou.

Também teve a Rita Brito, uma jornalista. Ela me observou, fez uma matéria linda sobre isso. Ela disse: “Seu coco é o mais caro, mas o que me chamou a atenção foi o jeito que você trata as pessoas.” Eu nem vendo coco — eu vendo acolhimento, escuta, cuidado. É isso que faz a diferença.

Porque no fim, não é o produto. É o jeito de tratar o outro. Você nunca sabe quem vai aparecer ali no seu balcão. E mesmo nos dias em que a gente não está tão bem, a gente é o rosto do negócio. Somos nós que impactamos o outro.

Pra quem sonha em largar tudo e vir trabalhar perto do mar, meu conselho é: larga mesmo. Larga tudo que você não ama. Porque perto do mar a energia é diferente. Não sei se é o iodo, se é o vento, se é o som das ondas. Mas é outra coisa. E empreender é desafiador, não é pra todo mundo. Mas se você ama o que faz, se joga. Acredita em você. Porque se você não acreditar, ninguém mais vai.

E mesmo que não dê certo — pelo menos você tentou. Melhor isso do que passar a vida se perguntando: “E se eu tivesse ido?”


Futuro e propósito

Quando penso no futuro da Beira-Mar, o que mais me vem na cabeça é a necessidade de arborização. Eu queria muito ver mais verde por aqui. Principalmente durante o dia, isso faz muita falta. De madrugada até o comecinho da manhã — das cinco até umas sete e meia — a Beira-Mar é pura vida: cheia de corredores, ciclistas, assessorias de esporte. Mas quando o sol começa a esquentar, por volta das oito, oito e meia, a coisa muda. O movimento some, o calor castiga, e a Beira-Mar vai ficando triste, parada. E eu sei que isso poderia ser diferente se tivesse mais árvores, mais sombra, mais brisa.

No trecho onde eu trabalho, entre a Rui Barbosa e a Desembargador Moreira, quase não tem arborização. Lá pra frente, até tem mais verde, tem barracas que funcionam melhor com essa estrutura. Mas aqui… é muito pouco. E eu não falo isso pra reclamar, não. Pelo contrário. Eu sempre digo que nada está fora do lugar. Tudo tem o seu tempo, o seu porquê. Só acho que, se for pra melhorar, que seja pra agregar. Se for pra trazer benefícios pra quem vive, trabalha ou visita aqui, então venha! Mas se não for, melhor deixar como está.

E olha… nem toda mudança é pra melhor. Muita gente acha que sim, mas eu discordo. Às vezes, melhora pra um e piora pra outro. E, no fim das contas, eu sou dessas que prefere olhar pra frente. Não fico presa ao passado. Foram tantos desafios ao longo desses 20 anos, tanta caminhada, tanta coisa superada… Que pra mim, tudo está exatamente como tem que ser. O importante é seguir sendo grata.

Agora, se tem uma coisa que eu acredito com firmeza é no poder dos negócios locais. Sim, eles fortalecem o bairro, transformam vidas. Aqui na Beira-Mar não é diferente. Tem gente que vem de longe, passa meses juntando um dinheirinho só pra trazer a família pra cá. Isso movimenta tudo: o ambulante da pipoca, o estacionamento do vizinho, o cara que aluga bicicleta, o vendedor do espetinho, o cara que toma conta dos carros. É um ciclo.

É igual numa pracinha de bairro. Quando tem vida, tem movimento. E com o movimento, vem a oportunidade. A senhorinha que vendia cachorro-quente na porta de casa passa a vender na praça. O menino que só jogava bola na rua começa a ganhar pra lavar carro. E isso é desenvolvimento. É renda. É transformação. E a Beira-Mar sempre foi isso: movimento e transformação. E ainda vai ser muito mais.

E o futuro da Beira-Mar? Ah, eu acho que é de crescimento. E não só com turistas, viu? Com gente daqui também. Tem dois empreendimentos enormes chegando nos Espigões, coisas grandes, de impacto. Vai vir mais movimento, mais estrutura, mais turismo. E não adianta reclamar dos grandes não. Quem tem dinheiro, faz dinheiro — e a gente que está por perto acaba se beneficiando também.

É como eu sempre digo: se não fossem os gigantes, os pequenos nem existiam. A gente aprende com quem está à frente. E eu sou muito de observar. Não sou de invejar ninguém, não. Eu gosto mesmo é de aprender. Melhorar. Crescer. A vida é isso: uma escola constante. E eu já sou rica, sabia? Rica de saúde, de gratidão, de vivência. Minha missão agora é ficar milionária — de histórias, de propósito, de alegria.

Quando eu era mais nova, achava que precisava estudar mais, fazer mais. E talvez precisava mesmo, mas eu era daquelas que queria jogar vôlei o dia inteiro (risos). E tá tudo bem. Cada um tem seu caminho. O importante é reconhecer as bênçãos que a gente recebeu. E eu recebi muitas.


O sabor da Beira-Mar

Pra fechar, se você me perguntasse: “Qual sabor representa a Beira-Mar?”, eu responderia sem pensar duas vezes: o açaí. Ele tem tudo a ver com esse lugar. É energia. É vibração. As pessoas misturam com banana, com whey, com leite em pó, cada um do seu jeito. Mas ele sozinho já diz tudo. Doce, refrescante, cheio de força.

O açaí é aquele alimento que energiza: quem corre, quer tomar. Quem vem pra show, quer tomar. Quem senta pra ver a lua cheia surgindo no mar, quer um potinho na mão. O açaí é o gosto da Beira-Mar. É o sabor de quem quer viver mais e melhor.

E é por isso que, mesmo com calor, com desafios, com tudo, eu continuo aqui. Porque esse lugar ainda tem muito pra dar — e eu ainda tenho muito pra oferecer.

Ficou interessado pela Beira Mar de Fortaleza e suas redondezas? Então clique AQUI!

1 comentário em “Açaí, Beira Mar e Lições de Vida”

  1. Roberta Lousada

    Melhor açaí de Fortaleza! Melhor atendimento e opções. Ser atendida pela Sandra e sua equipe é maravilhoso e um ambiente como a Beira Mar de Fortaleza tomando um açaí é sem igual! Nota 1000

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Follow by Email
Tiktok
Instagram
YouTube
YouTube
Telegram
RSS
Rolar para cima