Entrevista com Tetiana Dvorna

Tetiana Dvorna

Uma dos fundadores do Portal Praia de Iracema

Tetiana Dvorna

Meu nome é Tetiana. Sou ucraniana, uma dos fundadores do Projeto Portal Praia de Iracema, com formações como professora e tradutora, coach e designer. Além disso, sou uma pessoa movida pela paixão em viver intensamente e aprender sempre. Minha história é um reflexo de várias paixões que me definem – desde a arte e o design até a psicologia e o coaching. Cresci em ambientes multiculturais, o que me ajudou a desenvolver um olhar atento para as diferenças e semelhanças que conectam as pessoas.

Sempre busco equilíbrio entre razão e emoção, e acredito que as experiências mais significativas são aquelas que tocam o coração. Gosto de mergulhar fundo em tudo o que faço, seja na música, no esporte ou em qualquer projeto que me envolva, com o objetivo de criar conexões genuínas e transformar ideias em algo realmente especial.

Hoje, estou vivendo no Brasil, onde a diversidade e a energia local me inspiram todos os dias. Tenho a sorte de compartilhar essa jornada ao lado da minha família e de acompanhar meu filho em seu aprendizado de forma mais próxima, o que tem sido uma experiência incrivelmente enriquecedora.


1. Quando você chegou a Fortaleza, qual foi a primeira coisa que chamou sua atenção sobre a cidade?

Chegamos no início de julho, em pleno auge das férias escolares. A cidade, especialmente a Praia de Iracema, estava vibrante, cheia de vida e movimento. Ficamos hospedados em um pequeno hotel à beira-mar e logo nos encantamos com o ambiente ao nosso redor.

Na primeira noite, saímos para caminhar e nos deparamos com uma cena inesquecível: dezenas de crianças reunidas na praia, empinando pipas. Elas riam, corriam e se divertiam como se o tempo não existisse. A quantidade de pipas colorindo o céu era impressionante – eu nem sabia para onde olhar! A energia daquele momento era contagiante, uma mistura de alegria pura e liberdade. Essa imagem ficou marcada na minha memória e, até hoje, me faz sorrir.


2. Quais são as diferenças culturais que você sentiu mais ao se adaptar à vida em Fortaleza?

Viemos da Alemanha, onde a mentalidade é bem diferente da do Brasil – em muitos aspectos. Aqui, as pessoas são mais alegres, descontraídas e parecem levar a vida com mais leveza. Tudo acontece em um ritmo mais tranquilo, e, para mim, isso é algo positivo.

No Brasil, as pessoas realmente aproveitam o tempo livre e valorizam os pequenos momentos do dia a dia. Essa conexão com a vida, essa capacidade de viver o presente, me parece essencial para a verdadeira felicidade.


3. Como foi o processo de integração à comunidade local? Você encontrou alguma dificuldade em se conectar com as pessoas?

De forma alguma! As pessoas aqui são extremamente abertas e gentis. Sempre dispostas a ajudar, demonstram uma compreensão que faz toda a diferença. O mais incrível é que você realmente se sente aceito e respeitado – algo essencial ao chegar em um novo país.

Mesmo quando tivemos que lidar com toda a burocracia de documentos, encontramos muita paciência e boa vontade. Isso me surpreendeu positivamente. Existe um ditado no Brasil, o famoso jeitinho brasileiro, que significa que sempre há uma solução, independentemente da dificuldade. Essa mentalidade torna a vida muito mais leve e dinâmica.


4. O que você mais sente falta de casa (do seu país de origem) e o que mais gosta em Fortaleza?

Sinto muita falta da Europa – do clima, da arquitetura, das ruas e até do jeito das pessoas. A comida também é algo que me faz falta, embora eu tenha que admitir que os sabores aqui são incríveis. No entanto, alguns produtos que eu adorava na Alemanha simplesmente não existem aqui, como certos tipos de queijo e aquele chocolate delicioso. O chocolate brasileiro tem seu charme, mas não é o mesmo.

Outra coisa que me faz falta são os trens modernos e rápidos da Alemanha. Lá, dependendo de onde você mora, em poucas horas já pode estar em outro país. Essa facilidade de deslocamento é algo que realmente sinto falta.


5. Como o clima quente e úmido de Fortaleza impactou sua rotina? Você se acostumou rapidamente ou demorou para se adaptar?

Nos primeiros dias, fiquei encantada com o calor e aproveitei cada momento ao ar livre. Mas, depois de alguns dias, começou a parecer quente demais. Após um mês, confesso que só queria fugir do calor! 😅

Para um europeu, esse clima pode ser bem cansativo. Em determinado momento, comecei a me sentir mal e minha pressão caiu um pouco. Passei uma ou duas semanas praticamente presa a um quarto com ar-condicionado – foram dias difíceis. Mas, com o tempo, me acostumei e passei a apreciar a estabilidade do clima.

Na Alemanha, o tempo pode mudar drasticamente ao longo do dia: frio de manhã, calor à tarde e tempestade à noite. Eu nunca gostei dessa imprevisibilidade. Ainda assim, sinto falta das quatro estações e da beleza das mudanças ao longo do ano.


6. O que você acha da culinária local de Fortaleza? Tem algum prato que se tornou seu favorito?

Eu adoro a culinária local! O que mais me encanta é a grande variedade de frutas e legumes frescos. Sou apaixonada por manga e coco, mas também pelo cuscuz e a tapioca. Meu marido me ensinou a prepará-los, e agora fazem parte do nosso café da manhã todos os dias.

Outra coisa que me deixa muito feliz é a imensa oferta de peixes e frutos do mar frescos – simplesmente minha comida favorita! E, claro, a carne aqui tem um sabor muito mais intenso e suculento do que na Alemanha.

Uma das melhores experiências é caminhar pela Beira Mar ao entardecer e sentir os aromas irresistíveis das barraquinhas ao longo do calçadão. É impossível não parar para experimentar!


7. Você já experimentou alguma situação culturalmente inesperada ou engraçada desde que chegou? Pode compartilhar alguma história?

Ah, sim, vivi muitas situações marcantes, mas uma, em especial, me impressionou profundamente.

Os brasileiros são um povo muito religioso. É comum ouvir frases como “Se Deus quiser…”, “Deus é maior” e tantas outras no dia a dia. Mas um momento específico me pegou totalmente de surpresa.

Certa vez, comprei algo em uma loja – acho que era uma escova de dentes. Ao pagar, a vendedora sorriu e se despediu dizendo: “Deus te abençoe!” Fiquei tão surpresa que, pelo que me lembro, nem consegui responder. Pela primeira vez, fiquei sem palavras.

Isso é algo que dificilmente aconteceria na Europa, especialmente na Alemanha. Eu simplesmente não esperava que um completo estranho me desejasse uma bênção assim, do nada. E o mais curioso? Essa pequena gentileza me trouxe um sentimento muito positivo, algo que carreguei comigo pelo resto do dia.


8. Quais são os maiores desafios pessoais que você enfrentou ao morar em Fortaleza, além dos desafios profissionais?

O maior desafio, sem dúvida, é o clima. É completamente diferente da Europa e, embora eu já tenha me acostumado bastante, ainda acho estranho comemorar o Natal com temperaturas médias de 30 graus. Claro, há vantagens nisso, mas a adaptação não é fácil.

Outro ponto desafiador é a questão da segurança. Na Praia de Iracema, sinto que há uma forte presença policial e, no geral, me sinto segura. No entanto, à medida que você se afasta do centro, precisa estar mais atento ao seu entorno. Isso exige um nível de vigilância ao qual eu não estava acostumada.

Na Alemanha, até pouco tempo atrás, essa preocupação era mínima. Agora, as coisas estão mudando por lá também. Felizmente, nunca passei por nenhuma situação perigosa, mas relatos de assaltos e episódios de violência são comuns. Isso faz parte da realidade brasileira – e, de certa forma, parece que a Europa também está seguindo esse caminho.


9. Como você lida com a saudade de casa? Fortaleza tem algo que te ajuda a superar isso?


Definitivamente, o que mais amo é o oceano. Simplesmente sou fascinada por ele. Quando estou nadando, sentindo o sol na pele ou apenas sentada na areia, observando o horizonte e ouvindo o som das ondas, todos os meus problemas parecem desaparecer. O oceano se tornou meu refúgio, meu amigo e até meu terapeuta. Sempre que estou perto dele, sinto que posso deixar tudo para trás e simplesmente respirar.

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